sexta-feira, 29 de agosto de 2014

alguém pra bh

não tente
gostar de belo horizonte
tão rápido assim

se você quiser
alguém pra sair
alguém pra voltar
alguém pra ficar

não é BH

se você quiser
um mineiro
como lhe contam
desses que há

não é BH

umas montanhas
que circulam a vista
um horizonte
longe

não é aqui

mas quem se importa?

não é bh

se você procura
nessa cidade
alguém para amar
amor à primeira vista
ou a longo prazo

não, não, não
nunca foi bh

se algum dia
você estiver andando
e de repente pensar
que não queria estar em outro lugar

já é bh?

não

apenas a ilusão

*

livremente inspirado em à procura de uma cidade de nicolas behr

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

apenas

tudo o que se come
tudo o que se sente
tudo o que se toma
tudo o que se teme

tudo o que vai
tudo o que não fica

que seja eterno enquanto
foi bom enquanto

curou



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Pequeños Cuentos

1. grande bosta
Acordamos às 14h43, pensando: bem, não é tão tarde considerando a hora em que fomos dormir. Para o café-da-manhã, ao invés da dúvida entre ovos mexidos com ou sem hífen, uma discussão básica. O assunto já nenhum de nós lembra, mas algo me diz que não era sobre dizer café-da-manhã ou tarde (considerando a hora, né, gente) e tampouco se devíamos ou não comer hifens. Muito provavelmente era sobre um tema mais vão. Depois de comer, nos despedimos de nós mesmos porque já nenhum de nós nos aguentava e sincera e felizmente tínhamos coisas melhor a fazer. Ambos. 

2. pura veadagem
Há quem prefira o antes, durante e depois; eu, particularmente, fico com o depois, e isso significa a lembrança. Já cheguei a dizer que é a melhor parte, hoje só acho-a mais doce que a realidade. Vulgo durante.

3. quem não me aguenta sou eu
Mesmo sem sentir fome eu pedi um chocolate. Fome não sentia, porém sentia medo de me arrepender de não pedir. No final arrependi-me de ter pedido.

3. meu ego tá maior que meu egoísmo
Pouco me importa a ordem numérica, mas isso só prova para si mesmo que está prestando atenção.

4. ultimamente ando com muita vontade de dar
Enquanto estava na rua senti uma vontade muito grande de assistir a um filme de Harry Potter. Cheguei em casa e o fiz. Infelizmente, minha vida não mudou.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Perspectiva

De repente eu me vi sozinho e era ruim porque simplesmente eu não tinha opção. Evidentemente se eu pudesse escolher estar só ao invés de acompanhado seria bom ou até ótimo. Será que é pior ser refém do trabalho ou do ócio? Bem, caminhando pelas ruas dessa cidade, essa cidade que doía no início, que era feia pra um olhar desacostumado, que não podia representar nada de bom, apenas medo; mas se hoje eu disser que esse medo persiste de outro modo e essas ruas podem representar uma sociedade que infecta. Uma sociedade que já deixou de ser bonita e nesse momento me estressa tanto quanto um comercial antes dum vídeo do You Tube. E se eu pudesse, pularia o anúncio.
Os lugares têm um poder gigantesco de modificar seus sentimentos. Porém seus sentimentos têm um poder maior ainda de modificar os lugares. 
Me dou um conselho essa noite: faz mais em vez de pensar, apenas as ações podem mover o mundo. Já na minha cabeça, se tem só merda nela, melhor aproveitar o adubo para cultivar qualquer coisa útil.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

¡Qué chimba de parche! - Capítulo 4

Desde então eu ainda não tinha ido ao “banheiro” para satisfazer minhas necessidades fisiológicas sólidas, sendo direto e já com o perdão da palavra. Acordamos e eu decidi que era hora, pois segundo o meu corpo já estava passando. Pois bem, cacei uma moitinha e fiz meu serviço, amém. Me senti com aquela sensação de leveza que com certeza você conhece. Para tudo na vida tem uma primeira vez, amigos, até cagar no mato, meu banheiro entre aspas durante toda a viagem.

A fome apertou e fomos atrás do nosso desayuno. Pedimos a uma moça, moradora de lá, e ela nos fez patacones com queijo. Um patacón é uma banana (banana-da-terra) frita, amassada, e frita outra vez; que além de ser uma delícia, sustenta bastante e fica bem com qualquer acompanhamento. Era o que mais tinha pra comer ali. Porém os patacones demoraram muito e a fome já cavava um buraco no meu estômago. Mas nessa viagem, por nunca ter um supermercado por perto, estar sempre num grupo grande, e estar sempre por aí, me fez aprender a controlar melhor a minha fome e não me sentir mal por comer um pouco menos. Além de agradecer e achar ótimo qualquer prato que comia. Mas o importante é que estava bom demais o café.

Fomos à praia procurar os meninos, e também porque queríamos tomar banho de mar. Ao menos eu e Valeria, porque Kaori queria um banho de chuveiro e já começava a encher o saco de tanto reclamar. Era só o início da performance da mais chata de qualquer viagem que alguém um dia já fez ou fará. Generalizando muito, quase todos os mexicanos do norte, que eu conheço, são frescos ou só querem o bom e o melhor. Caminhamos um bocado e não achamos os diabos. Passamos numa barraca/restaurante/hotel e nos disseram que nenhum grupo com dois morenos e duas loiras tinha passado por ali. Kaori aproveitou e perguntou logo por um banheiro enquanto eu e Valeria corremos pro mar. O Caribe quente que me salvou. Nadamos pelados de novo. Bem, isso foi a coisa que eu mais fiz no Caribe. Ficamos umas horinhas lá e já voltamos.

Já chegando na nossa praia apareceram os meninos. Senti alegria ao vê-los, não sei por quê. Eles tinham voltado à cabana por outro caminho, por isso nos desencontramos. Mas no final todos estávamos juntos e contentes. Pipe tinha colhido cogumelos para fazer um chá alucinógeno.

Passamos a tarde com dona Ana, uma matriarca que vivia ali e já conhecia os meninos. Ela nos emprestou o fogão para que cozinhássemos nosso peixe com patacones. E antes eu tomei um banho no poço porque Valeria disse que eu fedia. Não duvidei.

Foi meu único banho em toda a viagem, que durou uma semana.

só o Caribe salva