terça-feira, 27 de janeiro de 2015

nasce 01 novo ser

no meio de uma crise de rinite alérgica e depois de um espirro, pum, nasceu . eis que era um novo ser (a pessoa que o originiou era um alienígena, um ser de outras terras que explorava minas de ouro nesse mundo). o catarro que lhe formava tomou a aparência da matéria mais nobre e atraente, belíssima, mas era só catarro mesmo. andou por aí a ter ideias maravilhosas que revolucionariam o mundo, mas ninguém o ouvia. não andava em busca de respostas pois já sabia todas. todinhas, viu? tinha uma hortinha em casa para, preferencialmente, temperar; andava descalço sempre que podia; era casado mas transava com outras pessoas e ainda metia sem vaselina; peligroso; soltava muita fumaça; dançava tudo o que era música; vivia viajando rodando muito; ele não via sua categoria bem representada nos meios de comunicação. e quando menos esperavam, fazia coisas inimagináveis, transcendentais, que as pessoas não conseguiam sequer descrever. só era amigo daqueles que voavam e aproveitava para pegar caronas para o além. sonhava muito e às vezes relutava em sair dos sonhos para voltar para esse mundo. sua sorte era que, assim como todos os seres, ele um dia iria morrer. "ah, isso alivia", pensava.

e fazia milagres no paint


vulgar sem ser sexy

primeiramente porque ninguém precisa ser de jeito nenhum pra agradar ninguém,
principalmente pessoas não homens cis-heterozzzzexual.
a nossa liberdade deve ir além dos padrões opressores
estéticos e morais.
amigo, você é gordo e maravilhoso.
amiga, você é rodada e eu não ligo, acho lindo.
seu cabelo armado dá de dez naquele chapado.
ninguém é culpado, mas também,
por favor,
ninguém é obrigado.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

vontades para 2015

aprender a coreografia de let's have a kiki

graduar-me em comunicação

começar a estudar cozinha

conseguir um trabalho

comprar meu próprio bec

participar de algumas surubas

escrever

planejar a grande viagem

evoluir na análise

gastar menos tempo na internet

e me redescobrir

diariamente

domingo, 7 de dezembro de 2014

Liberta

A vida é essa coisa que passa ligeiro e termina a qualquer momento para qualquer um. Ninguém está imune à moral, porque todos compartilhamos essa cultura louca&nossa. Mas é um exercício se esforçar a cada dia para: se importar menos com a vida dos outros e se importar menos com o que os outros pensam sobre nós. Não é bobagem beber, fumar, se drogar, comer, trepar; é coisa boa! Tudo feito com moderação pra saber fazer bem. E se extrapolar às vezes faz bem também. Preocupando-nos com o bem estar dos outros e com o nosso. A gente devia se libertar cada dia mais, se preocupar menos, ficar mais tempo nu, ficar mais tranquilo, deixar de correr atrás de estresse. Às vezes me emociono dançando loucamente aquela música qualquer que soa bonito. Posso ter vontade de chorar sentindo o ritmo da noite, sentindo essa liberdade que eu tenho, que eu posso. Bonito é o riso que não tem pressa. Vim de longe pra voltar logo. Pois ainda falta, ainda falta.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

O menino sem individualidade

Já ouvi falar de meninos sem dinheiro, sem família, de meninos sem criatividade, sem imaginação, e até de meninos sem meninice. No entanto esse era um menino sem outra coisa. Uma coisa que parece bobagem para você que a tem, mas que para ele era algo cuja falta definiu sua inteira vida. Não se lhe notava, a princípio nem a fins de conversa, que ele tinha tal condição. E na maioria das vezes nem ele mesmo, o menino, notava que não tinha uma coisa... Uma coisa chamada individualidade. 
Esse menino, que virou rapaz, que virou homem, cresceu buscando-se a si mesmo. Mas ele não se voltava ao interior, como tantos diziam e parecia ser tão fácil. Ele buscava-se nos outros. Estrebuchava cada pessoa que conhecia à procura de alguma coisa que pudesse lembrar-lhe, que pudesse lhe dar uma pista de quem quer que fosse ele mesmo. Ia fundo na superficialidade de tentar compreender sua essência em qualquer transeunte. Tinha vontade de amar todas as pessoas que passavam diante de seus olhos e sentia-se mal quando era posta a necessidade de deixar alguém para estar com outra pessoa qualquer. Como era possível querer assim a todos? Não era possível ter assim a todos. Essa era apenas a busca desenfreada por si mesmo em qualquer um. Até nos bichos ele se buscava. A (aparente) felicidade de um cão que recebia um afago seu podia ser um dia preenchido, mas só um dia.
Cada conversava que travava, cada olhar que cruzava, cada fluido compartilhado era uma esperança e uma pergunta. Eu estou aí? E por essa razão, preeenchia-se de pessoas e cercava-se de tentativas sempre em busca. Dedicou longos minutos dentro de longos dias em anos mais longos a isso. Por vezes, julgava encontrar-se e quando tal coisa acontecia sentia-se tão preenchido que não precisava de mais nada e se isolava. Isolava-se pela pura razão de não precisar mais estar por aí, porque já se tinha. Mas como presumido, isso não podia durar pela puríssima razão de que ninguém pode estar em outra pessoa. Sua individualidade jamais poderia ser encontrada.
Por muito tempo esse menino andou. Já foi homem, já foi idoso. Hoje ele já não vive. Sua história me contaram algumas das muitas pessoas que passaram por sua vida vazia de si mesmo. A individualidade jamais saberemos se encontrou. Mas pergunto-me se isso fazia alguma diferença, se afinal somos todos como o menino, cujo único pecado foi ter consciência de ser como era. Soube que deixou com cada pessoa uma letra numa ordem. Com essas letras nessa ordem escreveu-se em sua lápide seu epitáfio:
Quem tem olhos verá como pareço, quem tem boca levará meu sabor, quem tem mãos sentirá minha pele e quem ouve ouvirá minha voz. Mas só quem não tem barreiras ao redor de si saberá quem eu sou.