quinta-feira, 30 de abril de 2015

a viagem do aeronauta

a onda
são várias
ondas
que vêm e lavam

a onda
ondas

que ora são água
ora são ar
ora pensamentos

e o aeronauta
surfa com maestria
domando a onda
(ondas (((

e deixando-se levar
enquanto-se lava
para não sair limpo
senão melhor
tão sujo do resto
que a onda na viagem no mar e no ar pensamento
apenas traz, logo após
a calma

(a onda poetizada (

***

o aeronauta
de muitos nomes que tem
passeia por universos
pessoais & intransferivelmente
grandes

e é capaz
de transitar
entretantos
meios e mundos
buscando sua única e necessária viagem

aquela que vai
em direção
ao seu mais distante e profundo

eu

***

o aeronauta
segue sua viagem
interminável
pois entre um e todos
há coisas demais
coisas demais

mas ele sabe
que seu conhecimento é nada
e que a jornada traz cada vez mais

não somos nada
nada perto de tudo
que podemos ser

***

e o aeronauta
segue sua viagem

sexta-feira, 24 de abril de 2015

hoy día

hoje é um novo dia e ele começou diferente. um novo corte de cabelo e novas aventuras a chegar. o dia trouxe nuvens de chuva e pensamentos intranquilos. foi difícil decifrá-los e fazer com que fizessem sentidos minimamente compreensíveis. o dia veio com possibilidades que desperdicei, outras que criei e os mesmos erros de sempre. deu vontade de mudar tudo, reinventar até mesmo as coisas novas, desconstruir o que me agrada e pensar e nunca parar de pensar. também deu vontade de manter tudo por perto, principalmente as coisas boas e que sei que vingam, deu vontade de não mexer em nada e só sentir não pensar. o dia foi difícil, deu vontade até de ir embora. mas eu tô sempre por aqui, quando quiser é só chamar.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

sul

foi andando pelo sul
que achei
que poderia ser algo melhor

travestidos de simplicidade
a humildade e o orgulho
são parecidos

os cães de rua falavam
a comida barata falava
as estradas sinuosas falavam
que não

quando voltei, percebi
que cometia os mesmos erros
de sempre

o sul não muda
nem o norte poderia
com o ego, a opinião
e os universos
pessoais & intransferivelmente
pequenos

sexta-feira, 20 de março de 2015

sexo vespertino: prós

depois do almoço, tempo suficiente para não estar mais com sono nem com o estômago cheio
com a luz do sol já mais fraca possibilitando uma visão agradabilíssima do corpo alheio (para mais efeitos de luz, testar cortinas e lâmpadas)
a possibilidade de recuperar energias para repeteco à noite
não ter preocupação pois se pode-se transar à tarde é fim de semana ou se está desempregado
depois do rela-rela, um café esperto

quarta-feira, 11 de março de 2015

toda a tenebrosidade
da sua alma
que penetra na minha
através do seu olhar
que me analisa,
julga
e conclui.
todo o respeito por uma pessoa
desperdiçado
num olhar

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

paraíso meu

eu sei que você não é nada perto de tudo o que pode ser, e eu tão pouco (nadica de nada). já ouvi dizer de gente que traz de volta o nosso amor, mas sempre senti que nunca ia precisar disso. já ouviu dizer que quando perdemos algo e não achamos é porque nunca foi mesmo nosso? não tenho que temer, tudo pode ser, nada vai acontecer. sorria, na nossa vida é alegria. quando o corpo junta é uma sintonia que sinto igual desde a primeira vez, sempre dá uma emoção e medinho tão gostoso. nossa força de amantes é também uma força de amizade e de compreensão. tudo combina, é tão lindo. as descobertas juntos são como pactos secretos que fizemos sem saber nem dizer nenhuma palavra, sequer veio à consciência, apenas sabemos. e quando o toque vem e acalma e daí a pouco já é incêndio e a saliva escorre pelo corpo junto com o suor que sobrou de nossa aventura perfeita e pessoal. alinhados à simetria mística da união caminhamos sobre a linha da dúvida do inevitável, da perenidade do efêmero, na velocidade da luz em câmera lenta dando voltas e voltas e voltas. não existe resultado e a ignorância define todo o resto. agora é o paraíso meu. é nosso. é ainda nada perto de tudo o que pode ser.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

gente ao redor #1: luisa

a menina que não toma leite e chora à toa.

esses dias me peguei na sua cama, abraçadinhos, com você chorando no meu ombro e eu te contando como é especial. ontem você fez muito quibe, nunca vi tanto quibe, e me ofereceu pra comer. hoje comi muito quibe de novo. você me ensinou a comer e a cozinhar sem leite e achar tudo muito gostoso. hoje eu acho a coisa mais legal falar: essa comida foi feita com 0 leite (e como é difícil achar comidas assim). há alguns meses me peguei sentado com você no lua nova e depois no piolho, tomando brahma, falando mal de bh e da nossa vontade de cair no mundo, ouvindo histórias ainda boas do outro caio. há alguns meses eu te via no seu quarto e eu no meu e tinha vontade de entrar pra prosar à toa, mas tinha vergonha. hoje tenho menos. e pensar que há mais tempo ainda você era a princesinha e eu era o pão duro e não nos dávamos. eu tinha ciúme de zé e você também. ainda bem que agora somos irmãos e te conto tudo. você, tão parecida comigo e eu caminhando por aí te achei dando sopa e combinou justo com o que eu precisava. ainda bem que mudamos tanto, pois nos vemos hoje e nem nos reconhecemos tanta abertura ao mundo e vontade de crescer mais.

ela mora comigo e no meu coração.