- Toc toc.
- Quem é?
- Eu.
- Eu quem?
- Cê sabe, caralho. Abre essa porra de uma vez.
- ... Ainda assim você não exclama.
- Eu evito, acho que não fica muito bonito no escrito.
- Mas não é só por isso.
- Sim, é minha personalidade também. Me exaltar é raridade. Fazer o quê?
- Isso é bom, parceiro, só tem que ter cuidado pra não exagerar na dose e virar apatia.
- É...
domingo, 12 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Latido só
Bêbado, drogado. Se minhas costas não doessem eu dormiria no chão todo dia. Colchão é só o chão com uma sílaba antes. Uma sílaba que amacia a dureza e esquenta... o frio. Bobagem pensar que é algo mais. O colchão é um conforto pra solidão. A solidão de um desejo que não se realiza, de uma ação reprimida pela timidez dum corpo. Dum copo. Que devia fazer o que não faz. Ou eu não faço o que devia fazer. Ou ele também não. Ninguém faz porra nenhuma aqui. Um cão de rua chega quieto. Talvez eu seja que nem um vira-lata, venho me aproximando devagar, peço com os olhos, doido pra alguém passar a mão na minha cabeça e me dar de comer. Mas eu não sei falar. Sei não. Sou meio bestinha também. Mas eu sempre caço uma caminha, nem que seja um tapete encardido escrito "bem-vindo" na porta de uma casa. Porque o chão dói. Se ninguém me acha e me leva, eu fico lá. Com esse olho pidão de sempre. Eu só queria um dono. Se alguém me entende, eu lato. Mas não com au-au, essa onomatopeia maldita que inventaram pra representar um latido. No dia em que um cão latir desse jeito ele não será mais um cão. Mas eu não lato assim. Meu latido é mais fundo, fica dentro, no coração.
Mas na pior das hipóteses eu uivo pra lua.
Conrado Miguel
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Lana Del Rey - Nascida para vender. E algo mais
Quando um artista novo e desconhecido desponta como uma erupção vulcânica, avassalando histerismos até onde sua música alcança, há que se desconfiar. Na maioria das vezes eles apenas reproduzem padrões e não inovam, partindo inclusive para o apelo. Mas a indústria não é uma grande bolha fechada com todos os seus estereótipos, pelo contrário, ela necessita de dinamismo até para sua própria sobrevivência.
Ano passado a cantora americana Lana Del Rey lançou seu primeiro álbum Born to die (é interessante pesquisar sobre ela para ver como advogados e empresários sempre influenciaram em sua carreira, até mesmo em seu nome). O sucesso foi instantâneo. Recentemente ela lançou o clipe da faixa-título do álbum, algo realmente surpreendente na linguagem audiovisual de artistas lançados. O videoclipe possui relações de significado intrincadas e não está pautado apenas por clichês do gênero (para ver clique aqui) . Nele, vê-se ela vestida de branco, com uma coroa de flores, guardada por dois tigres num trono dentro de uma igreja. Uma vez que o título da música é Nascidos para morrer, e o seu fim no vídeo é derradeiro, pode-se entender essa parte como um estado póstumo de graça e glória. Posteriormente no vídeo ela aparece andando por um corredor até chegar a uma porta, onde entra; uma alusão clara ao caminho para o paraíso. A simbologia da morte também é muito presente no clipe. O causador da morte da personagem que a cantora interpreta, seu namorado, foge do estereótipo do galã saradinho e é substituído por um drogado magro e tatuado, certamente não em vão. Nada melhor do que uma figura cadavérica e underground para representar a morte. Enquanto está em seu carro, a luz e o desfoco da câmera criam uma ilusão de sangue na roupa da garota. E inteligentes jogos de luz colocam o namorado em cena como um fantasma, sempre em posições ameaçadoras para a personagem, que na maioria das vezes parece não perceber. E as luzes, também presentes na igreja, simulam o movimento de um carro, afinal ela foi morta num acidente de trânsito.
Em seu vídeo, Lana Del Rey revive o videoclipe como o gênero audiovisual mais livre e onde mais cabem experimentações e prova que mesmo sendo uma celebridade construída é possível fazer arte por trás do glamour.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
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